Abrir um CNPJ custa, na maior parte dos casos, algumas centenas de reais em taxas oficiais — no Paraná, R$ 134,55 para uma sociedade limitada e R$ 96,90 para empresário individual —, mais o certificado digital e as taxas do município. Manter custa outra coisa: imposto sobre o faturamento — na primeira faixa do Simples, 4% no comércio, 6% nos serviços do Anexo III e 15,5% nos do Anexo V —, o INSS do sócio (cerca de R$ 178 por mês sobre o pró-labore mínimo) e os fixos da estrutura. Abaixo, cada item com o valor de tabela, o que é obrigatório e o que varia.
Quer a conta fechada para a sua atividade, antes de decidir?
1. Quanto custa abrir: as taxas oficiais
A maior parte do que se paga para abrir é taxa pública, não honorário. O registro do ato constitutivo é feito na Junta Comercial do seu estado, e cada uma tem a própria tabela. No Paraná, os valores em vigor desde 1º de maio de 2026 são estes:
| Ato na Junta Comercial do Paraná | Valor |
|---|---|
| Contrato social — sociedade limitada (LTDA ou unipessoal) | R$ 134,55 |
| Inscrição de empresário individual (EI) | R$ 96,90 |
| Enquadramento como microempresa ou EPP | R$ 0,00 |
| Alteração contratual (LTDA) | R$ 134,55 |
| Extinção / distrato | R$ 0,00 |
Fonte: tabela de preços da Junta Comercial do Paraná, Resolução CAD 01/2026. São apenas as taxas públicas de registro: o honorário do contador pelo serviço é à parte, em qualquer um desses atos. Em outros estados a ordem de grandeza é parecida, mas o valor muda — consulte a junta da sua UF.
Dois valores da tabela costumam surpreender: enquadrar a empresa como ME ou EPP não tem taxa, e a extinção também não tem taxa na Junta do Paraná. Atenção ao que esses R$ 0,00 significam: é a taxa pública que não existe. Dar baixa continua sendo um serviço contábil — encerrar as obrigações, regularizar o que estiver pendente e protocolar —, e esse trabalho tem honorário. O que encarece um encerramento, aliás, quase nunca é a taxa: é a pendência acumulada até ali.
Some a isso:
- Certificado digital — são dois momentos. O e-CPF do sócio assina o contrato social no registro digital; o e-CNPJ passa a ser necessário depois, para emitir nota, acessar o e-CAC e assinar obrigações. Custam algumas centenas de reais por ano cada um, conforme o tipo (A1 ou A3) e a certificadora;
- Taxas municipais — a licença de localização e funcionamento varia por município, por atividade e, em muitas cidades, pelo porte ou pela área do estabelecimento. É o item mais imprevisível da conta;
- Viabilidade e consulta prévia — a checagem de endereço e atividade junto à prefeitura costuma não ter custo próprio, mas é o passo que pode travar tudo se o CNAE não for permitido no local.
Se a atividade for classificada como de baixo risco, a Lei nº 13.874/2019 dispensa atos públicos de liberação antes do início da operação, e o registro com contrato padrão costuma sair no mesmo dia. Atividade de risco médio ou alto exige vistoria — e aí o prazo deixa de depender do contador.
2. Capital social não é uma taxa
Esta é a confusão mais comum de quem pesquisa o custo de abrir. O capital social não é dinheiro que você paga a alguém: é quanto os sócios declaram investir na empresa, e esse valor continua sendo da empresa. Ele não é depositado em conta vinculada nem recolhido ao governo.
A sociedade limitada não tem capital social mínimo em lei. Você pode abrir com um valor baixo, e é o que muita empresa de serviço faz. Vale pensar no número com calma por outro motivo: o capital declarado influencia a análise de crédito, aparece em contrato com clientes maiores e delimita a responsabilidade dos sócios depois de integralizado.
3. O que significa “abertura grátis”
Você vai encontrar oferta de abertura sem custo. Vale entender o que fica de fora dela: as taxas da Junta Comercial e do município são públicas e continuam existindo — elas são do Estado, não do contador. O que a oferta dispensa é o honorário da abertura.
Esse honorário costuma vir embutido na mensalidade seguinte, com prazo de permanência, e o cálculo que importa é o de 12 ou 24 meses, não o do primeiro dia. Não é armadilha — é um modelo de preço legítimo, e para muita empresa fecha bem. Só não é o mesmo que “abrir de graça”.
Na SC Martins não trabalhamos assim: abertura, alteração contratual e baixa são serviços técnicos e têm honorário, sempre. A diferença é que dizemos o valor antes de começar, junto com o que vai custar manter — assim a conta fica comparável desde o início, e não só no décimo terceiro mês.
Quer o orçamento de abertura com tudo incluído?
A gente informa as taxas do seu caso e o honorário antes de começar — sem surpresa.
4. Quanto custa manter: os três blocos
O imposto sobre o faturamento
É o maior item, e o único que sobe junto com a receita. No Simples Nacional, a alíquota efetiva começa em 6% na primeira faixa do Anexo III da Lei Complementar nº 123/2006 — receita de até R$ 180 mil em 12 meses — e cresce por faixas. Para comércio, o Anexo I começa em 4%.
Um detalhe que muda tudo: se a sua folha for menor que 28% da receita, a empresa de serviço pode cair no Anexo V, cuja alíquota inicial é de 15,50%. Sobre R$ 200 mil de faturamento anual, a diferença entre um anexo e outro passa de R$ 20 mil por ano. Quem decide é o Fator R.
Se a empresa não estiver no Simples, o cálculo é outro — veja a comparação em Lucro Presumido ou Simples Nacional.
O INSS do sócio
Toda empresa com sócio que trabalha nela precisa pagar pró-labore, e o pró-labore não pode ser menor que um salário mínimo — R$ 1.621 em 2026. Sobre ele incidem 11% de INSS, na forma da Lei nº 8.212/1991, o que dá aproximadamente R$ 178 por mês, ou R$ 2.140 no ano.
Esse valor não é taxa: é contribuição previdenciária, que conta para a sua aposentadoria e dá direito a auxílios. Mas entra na conta do custo mensal, e é obrigatório mesmo em mês sem faturamento.
Os custos fixos da estrutura
- Contabilidade — obrigatória para ME e EPP. O honorário varia conforme o volume de notas, o número de funcionários e o regime;
- Certificado digital — o e-CNPJ precisa ser renovado no vencimento, então ele reaparece todo ano ou a cada três anos;
- Alvará e taxas municipais — várias são anuais, e não só da abertura;
- Emissor de nota fiscal — muitos municípios oferecem sistema gratuito; sistemas próprios têm mensalidade.
Não publicamos valores de honorário e certificado porque eles variam de verdade — por porte, por atividade e por fornecedor. Desconfie de quem promete número fechado sem perguntar nada sobre a sua operação.
5. O custo de manter parada
Esta é a parte que pega quem abriu e não usou. Empresa sem faturamento continua tendo obrigações: as declarações mensais e anuais precisam ser entregues mesmo zeradas, e a falta gera multa. O pró-labore e o INSS do sócio seguem devidos se ele atua na empresa.
Se o negócio não vingou, manter o CNPJ aberto “por precaução” costuma custar mais que fechar. No Paraná a extinção não paga taxa de Junta, mas o encerramento é um serviço contábil e tem honorário — e quanto mais tempo passa com pendências acumuladas, mais trabalhoso e mais caro ele fica.
6. Os custos opcionais que aparecem depois
Nenhum destes é obrigatório para operar, mas todos entram na conta real de quem está começando:
- Registro de marca no INPI — cobrado por classe de atividade. Microempresas e empresas de pequeno porte têm 50% de desconto na tabela de retribuições, o que torna o registro bem mais acessível do que a maioria imagina. Os valores estão na tabela oficial do INPI;
- Conta bancária PJ — há bancos digitais sem tarifa de manutenção e bancos tradicionais com pacote mensal;
- Sistema de gestão ou emissor próprio — faz diferença a partir de certo volume de notas, e não antes disso;
- Domínio e e-mail profissional — custo baixo, mas recorrente.
7. Vale a pena, mesmo com esses custos?
Na maioria dos casos com faturamento recorrente, sim — porque a economia de imposto costuma superar o custo da estrutura. Como pessoa física, a mesma renda pode ser tributada em até 27,5% no carnê-leão; como empresa de serviço no Anexo III, a partir de 6%.
Sobre R$ 120 mil de receita anual, isso pode representar uma diferença de dezenas de milhares de reais — muito acima do que custam contabilidade, certificado e INSS somados. A conta vira contra o CNPJ quando o faturamento é baixo e irregular: aí os fixos pesam proporcionalmente mais. Se você está nessa faixa, compare antes em autônomo: MEI, microempresa ou PF.
Quer o custo real da sua empresa, item por item?
A gente monta a conta com o seu faturamento e a sua atividade — o que custa abrir e o que vai custar por mês —, sem juridiquês e sem compromisso.
Dois recortes mudam bastante essa conta. Quem está saindo do MEI encontra uma estrutura de custos diferente da que conhecia — veja o que muda ao migrar de MEI para ME. E se o que mais pesa hoje é o honorário contábil, vale comparar antes de renovar: trocar de contador é mais simples do que parece.
Perguntas frequentes sobre o custo de abrir e manter um CNPJ
Quanto custa abrir um CNPJ em 2026?
As taxas oficiais somam algumas centenas de reais. No Paraná, o registro do contrato social de uma sociedade limitada custa R$ 134,55 e a inscrição de empresário individual, R$ 96,90, conforme a tabela da Junta Comercial do Paraná. Somam-se o certificado digital e as taxas do município, que variam por atividade. O honorário da abertura é à parte e depende do escritório.
Abrir empresa é grátis?
As taxas da Junta Comercial e da prefeitura são públicas e existem sempre — elas não são do contador. O que algumas ofertas dispensam é o honorário da abertura, normalmente vinculado a um contrato de permanência; por isso vale comparar o custo de 12 meses, e não o do primeiro dia. Na SC Martins abertura, alteração e baixa têm honorário, informado antes de começar.
Preciso de capital social mínimo?
Não. A sociedade limitada não tem capital social mínimo em lei, e o capital não é dinheiro pago a ninguém: é quanto os sócios declaram investir, e o valor continua sendo da empresa. Ele influencia crédito, contratos e a responsabilidade dos sócios, então merece ser pensado — só não é uma taxa.
Quanto custa manter um CNPJ por mês?
Depende do faturamento e da estrutura. Uma microempresa de serviço no Simples paga a partir de 6% do que fatura em imposto, na primeira faixa do Anexo III da LC 123/2006, mais cerca de R$ 178 por mês de INSS sobre o pró-labore mínimo, mais contabilidade, certificado digital e taxas municipais, que variam por porte e atividade.
Quanto tempo demora para abrir?
Atividades de baixo risco, com contrato padrão, costumam ter o registro aprovado no mesmo dia, porque a Lei nº 13.874/2019 dispensa a liberação prévia. Risco médio ou alto exige vistoria, e aí o prazo passa a depender da prefeitura e do corpo de bombeiros.
Empresa sem faturamento paga alguma coisa?
Sim. As declarações continuam obrigatórias mesmo zeradas, e a falta gera multa. O pró-labore e o INSS do sócio seguem devidos se ele atua na empresa. Manter um CNPJ parado costuma custar mais que dar baixa. Na Junta do Paraná a extinção não tem taxa pública, mas o encerramento é serviço contábil e tem honorário.
Microempresa é obrigada a ter contador?
Sim. A ME e a EPP precisam de escrituração contábil e de um contador responsável pelas obrigações acessórias previstas na LC 123/2006. A escrituração também é o que garante a distribuição de lucros isenta acima do limite presumido.
Qual o pró-labore mínimo em 2026?
Um salário mínimo, R$ 1.621. Sobre ele incidem 11% de INSS, na forma da Lei nº 8.212/1991, o que dá aproximadamente R$ 178 por mês. Esse valor conta para a aposentadoria e dá direito aos auxílios previdenciários.
Conteúdo informativo produzido por Silvio Cesar Martins, contador — CRC/PR 1-045678/O-9 —, da SC Martins Contabilidade (CRC PR-012044). Este material tem caráter educativo e não substitui a análise contábil do seu caso concreto. As taxas de Junta Comercial citadas são as do Paraná e mudam por estado; honorários contábeis, certificado digital e taxas municipais variam conforme o porte, a atividade e o fornecedor. As regras têm base na legislação vigente em 2026 e podem ser alteradas.
